A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) reuniu as administrações de todos os operadores de transporte da Área Metropolitana de Lisboa (AML), numa sessão do Conselho Consultivo das Tecnologias para a Mobilidade que contou com a presença da Secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias. O foco foi claro: acelerar a integração total do sistema metropolitano até 2026.
Integração: mais do que tecnologia, uma mudança estrutural
A palavra-chave da reunião foi integração, entendida em várias dimensões.
Integração entre operadores e modos: garantir que autocarros, metro, comboios e transporte fluvial funcionam como um sistema único do ponto de vista do passageiro, independentemente do operador.
Integração tecnológica: através da consolidação da API-APEX, uma biblioteca de software, que permitirá harmonizar validações, títulos e regras tarifárias. Já foram desenvolvidas dezenas de versões adaptadas às realidades operacionais, sendo necessário:
- Normalizar identificadores de linhas, paragens e percursos;
- Adaptar os ficheiros GTFS (formato de dados criado pela Google utilizado mundialmente para partilhar informações de transporte público) ao modelo definido pela TML;
- Rever o mapeamento de títulos e regras tarifárias, atualmente diferentes entre operadores;
- Atualizar sistemas centrais e, em alguns casos, substituir hardware.
O compromisso assumido é ter as principais funcionalidades da API-APEX operacionais até ao final do primeiro semestre.
Integração tarifária e de pagamentos: A expansão do pagamento com cartão bancário é uma das peças-chave. Alguns operadores já estão integrados e a meta é que quase todos possam aceitar este método até ao final do ano. Está em estudo um piloto que permitirá utilizar o Cartão de Cidadão como meio de validação.
Integração com o Cartão de Cidadão: O Cartão de Cidadão foi incluído como requisito no projeto tecnológico. A TML está a trabalhar no lançamento de um projeto-piloto em articulação com a ARTE - Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, para testar a viabilidade da sua utilização como meio de validação no transporte público. O objetivo é perceber se a solução pode funcionar de forma eficaz numa área metropolitana e, posteriormente, ser replicável noutras regiões do país.
Integração da informação em tempo real: A generalização da recolha e disponibilização de dados operacionais é considerada essencial. A plataforma GO da TML, já utilizada pela Carris Metropolitana, permite monitorizar atrasos, antecipar supressões e disponibilizar estimativas dinâmicas aos passageiros, devendo ser alargada a outras autoridades.
Integração territorial: A TML está também a trabalhar com outras regiões, como Aveiro, Tâmega e Vouga, Madeira e Coimbra, preparando soluções tecnológicas que permitam interoperabilidade futura entre áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais.
Uniformização como condição de sucesso: Um dos pontos mais enfatizados foi a necessidade de uniformizar regras, metodologias e processos de venda e pós-venda numa única plataforma. A coexistência de regras distintas entre operadores é hoje um dos principais entraves à plena interoperabilidade.
Cristina Pinto Dias sublinhou que o setor dispõe de financiamento significativo e que a modernização tecnológica é determinante não só para melhorar o serviço, mas também para cumprir metas de descarbonização associadas aos fundos comunitários.
A ambição é clara: até 2026, a mobilidade na AML deverá funcionar de forma integrada, simples e transparente para o passageiro, com tecnologia invisível, mas determinante, a suportar toda a operação.


