Fiabilidade, informação, digitalização e integração foram alguns dos temas em destaque na mesa-redonda “Transportes públicos e mobilidade partilhada”, que reuniu diferentes operadores e entidades de mobilidade no Banco de Portugal, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade.
Como é que evoluiu a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa? O que pode ser feito para tornar as deslocações mais simples e previsíveis? E como incentivar mais pessoas a experimentar e utilizar os transportes públicos?
Estas foram algumas das questões debatidas na manhã de 17 de setembro, no Edifício Marconi do Banco de Portugal, em Lisboa, numa sessão com participação presencial e online. A mesa-redonda contou com a apresentação e o encerramento de Ana Fontoura, do Banco de Portugal, e foi moderada por Filipa Studer, responsável de Marketing e Relações Públicas da TML - Transportes Metropolitanos de Lisboa.
Participaram no debate Ana Oliveira, Diretora do Departamento de Gestão Operacional da TML, que gere a Carris Metropolitana; António Rapoula, Diretor de Comunicação e Marketing da EMEL; André Peres, Chefe de Departamento - Clientes e Projetos do Metropolitano de Lisboa; Catarina Dias, Diretora de Cliente da Carris; Raquel Santos, Diretora Comercial da Fertagus; e Zita Carvalho, Diretora Comercial da CP.

Uma viagem, vários modos de transporte
A abrir a sessão, Filipa Studer sublinhou que “falar de mobilidade metropolitana é falar de um sistema coletivo, onde o resultado final é partilhado”. Para quem se desloca, a viagem não é feita por um único operador ou meio de transporte: pode combinar autocarro, metro, comboio, bicicleta ou estacionamento, sendo essa combinação que constitui a experiência de mobilidade.
A evolução recente dos diferentes serviços mostra mudanças significativas nesse sentido. No Metropolitano de Lisboa, André Peres destacou o aumento da fiabilidade do serviço, associado ao investimento em equipamentos. Na Carris, Catarina Dias salientou a transformação do próprio serviço de autocarros, enquanto Ana Oliveira apontou, na Carris Metropolitana, o esforço de adaptar a oferta às necessidades dos clientes, disponibilizar informação em tempo real e recolher o seu feedback.
Também na CP se tem verificado uma mudança de perspetiva, com a empresa a assumir o objetivo de colocar o cliente no centro da sua atividade. Para Zita Carvalho, esta mudança de paradigma passa também pela digitalização.
Na Fertagus, Raquel Santos destacou o impacto da redução tarifária no aumento da procura, salientando igualmente a vantagem dos tempos de viagem face ao automóvel em determinados percursos e o trabalho desenvolvido para proporcionar melhores condições aos clientes.
Já António Rapoula apresentou o papel da EMEL na mobilidade pendular, destacando a implementação dos Parques navegante® e o contributo das receitas do estacionamento para o financiamento de outras soluções e serviços de mobilidade em Lisboa, como a gestão semafórica e as bicicletas GIRA.
Da bilhética integrada à informação integrada
Se a deslocação pode envolver vários modos e operadores, como garantir que o passageiro não sinta que está a mudar de sistema a cada etapa da viagem?
O navegante® foi apontado como um dos principais instrumentos de integração. A existência de uma solução comum de bilhética permite ao utilizador encarar diferentes serviços como partes de uma mesma rede. O próximo passo passa por reforçar também a integração da informação.
Nesse sentido, Ana Oliveira revelou que a TML está a desenvolver um planeador de viagem integrado na App navegante®, com o objetivo de dar maior confiança ao passageiro e facilitar a escolha e combinação dos diferentes modos de transporte.
Para Zita Carvalho, depois do esforço desenvolvido na coordenação da bilhética, é necessário continuar esse trabalho ao nível da comunicação. Uma ideia partilhada por vários participantes: a informação é essencial para tornar a viagem previsível.
Raquel Santos destacou a importância de disponibilizar informação ao longo da jornada do cliente. António Rapoula deu como exemplo a GIRA, cuja articulação com o navegante® permite responder às necessidades do chamado last mile, ligando diferentes momentos da deslocação.
Catarina Dias sublinhou o dever dos operadores de informar e de contribuir para que o transporte público seja mais previsível, complementando a informação disponibilizada pelos restantes intervenientes no sistema de mobilidade.
Experimentar para mudar hábitos
No final, a discussão centrou-se numa questão essencial: como convencer mais pessoas a optar pelos transportes públicos?
Tempo, custo e qualidade de vida foram alguns dos argumentos apontados. Para André Peres, utilizar transportes públicos pode significar poupar tempo e dinheiro e trazer benefícios para a saúde. Catarina Dias destacou a possibilidade de o transporte público combinado constituir, em si mesmo, uma escolha de mobilidade.
Para Raquel Santos, a experiência é também uma forma de alterar hábitos: experimentar um determinado percurso e perceber que funciona pode levar a uma utilização regular.
A importância de ouvir os utilizadores voltou a ser sublinhada por Ana Oliveira, que destacou o trabalho das equipas que diariamente procuram melhorar o serviço e valorizou o contributo do feedback dos passageiros.
A fechar, António Rapoula deixou um desafio aos participantes: ter a “coragem de experimentar” a bicicleta em Lisboa, tal como muitos fazem quando viajam para outras cidades.
Mais do que escolher entre diferentes meios, a discussão mostrou que o futuro da mobilidade passa pela capacidade de os integrar numa experiência de viagem simples, previsível e centrada nas necessidades de quem se desloca.