TML levou ao Brasil a sua experiência de mobilidade metropolitana integrada

A convite da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos, Carlos Humberto de Carvalho, Presidente do Conselho de Administração da TML – Transportes Metropolitanos de Lisboa, partilhou, no Conexão ANPTrilhos 2026, a experiência de criação e desenvolvimento do projeto TML e o caminho que tem vindo a ser construído na área metropolitana de Lisboa.

Com o propósito de debater o transporte de passageiros sobre trilhos no Brasil, o Conexão ANPTrilhos 2026 reuniu, no passado dia 26 de agosto, em Brasília, representantes do governo federal, de estados, de operadoras, nacionais e internacionais. Entre estes, destacamos a presença Carlos Humberto de Carvalho, que fez uma intervenção sob o tema “Do operador ao sistema: como Lisboa estruturou uma mobilidade metropolitana integrada”, onde apresentou a experiência da TML na transformação da mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa.

“Promovemos uma verdadeira revolução”

Foi com estas palavras que o Presidente da TML resumiu os efeitos desta transformação. Uma transformação que passou pela integração tarifária com a criação do passe e do sistema navegante®, que criou uma lógica comum de mobilidade entre os 18 municípios da região e que reduziu drasticamente o custo mensal das viagens. “Antes, os passageiros gastavam uma média de 150€ mensais nas suas deslocações entre a área metropolitana de Lisboa. Agora pagam um valor máximo de 40€”, esclareceu Carlos Humberto.

Mas a revolução foi sentida ainda na operação rodoviária com a criação da Carris Metropolitana, que veio unificar e reorganizar a operação em 15 municípios da Área Metropolitana de Lisboa. “Em 2025, a Carris Metropolitana transportou 194 milhões de passageiros, registando um aumento de 11,5% em relação ao ano anterior”, exemplificou o presidente.

“Integração foi o começo. Transformação é o destino.”

Se a integração foi o princípio de tudo na construção de um conceito de “mobilidade para todos”, agora a palavra de ordem para a TML é a transformação Na sua intervenção, Carlos Humberto de Carvalho falou ainda do caminho que a TML está a fazer na área do planeamento, inovação e da tecnologia, com o desenvolvimento de novas soluções para tornar o sistema de mobilidade cada vez mais acessível, interligado e desmaterializado, desde a digitalização dos serviços e da relação com o passageiro, à disponibilização de informação em tempo real e à integração tecnológica de diferentes operadores e serviços.

“Transmitir experiência e aprender”

Já numa conversa mediada por Guilherme Ramalho, CEO do MetrôRio, Carlos Humberto de Carvalho foi convidado a falar sobre como a área metropolitana da capital portuguesa saiu de um sistema fragmentado, com mais de 7 mil tipos de bilhete, para uma tarifação única, simples e integrada em todo o território, e as implicações no modelo de financiamento deste sistema.

Mas a troca de experiências entre os dois países não se ficou pelas conclusões desta conversa no Conexão. Dois dias antes, em visita técnica à Empresa Pública de Transportes de Maricá (EPT), a comitiva da TML, representada por Carlos Humberto de Carvalho, Pedro Pinto de Jesus, vogal executivo do Conselho de Administração, e Sérgio Pinheiro, diretor de Planeamento, já havia tido uma frutífera troca de experiências sobre mobilidade urbana, transporte público e o modelo Tarifa Zero desenvolvido em Maricá, no Rio de Janeiro.
No dia seguinte ao evento, os representantes da TML estiveram ainda em Goiânia onde foram conhecer o sistema de controle e prioridade semafórica implantado nos corredores de BRT desta cidade.