A TML – Transportes Metropolitanos de Lisboa participou na 2.ª Conferência «Cibersegurança – Os Desafios para os Operadores de Transporte», organizada pela Associação Metropolitana de Operadores de Transporte de Lisboa (AMOLIS), no dia 14 de outubro, no Auditório do Alto dos Moinhos, em Lisboa.
Pedro Pinto de Jesus, Vogal do Conselho de Administração da TML, integrou a mesa-redonda dedicada à Diretiva NIS2 e aos desafios da cibersegurança no setor dos transportes, onde destacou a importância da cooperação entre entidades, do envolvimento da gestão de topo e da proteção dos sistemas que asseguram a continuidade e a fiabilidade dos serviços de transporte.
Enquanto responsável pela gestão do sistema de bilhética navegante® e pela articulação entre os diferentes operadores de transporte da Área Metropolitana de Lisboa, a TML desempenha um papel central na integração e no funcionamento do ecossistema metropolitano. Esta posição reforça a importância de uma abordagem coordenada à cibersegurança, que considere a interdependência entre entidades, sistemas e serviços, bem como os riscos associados à partilha e à circulação de informação.
Na sessão de abertura, a Secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, sublinhou que os transportes constituem uma infraestrutura crítica do Estado, cuja proteção é essencial para assegurar a continuidade dos serviços, a segurança dos dados dos passageiros e a confiança no sistema. «A digitalização é progresso, mas tem de ser fiável e segura», afirmou, acrescentando que a cibersegurança não deve ser vista como um obstáculo à inovação, mas como uma responsabilidade cada vez mais abrangente. «Preparar, proteger e recuperar» são, nas suas palavras, princípios fundamentais nesta área.
A conferência contou também com as intervenções de Sónia Páscoa, Presidente do Conselho Diretivo da AMOLIS, que deu as boas-vindas aos participantes; de Nuno Brás Fernandes, Consultor de Cibersegurança e Segurança da Informação, que abordou os impactos do novo regime jurídico da cibersegurança e da Diretiva NIS2; e de Nuno Medeiros, da CISO e e-Redes, que partilhou a experiência de implementação de medidas de cibersegurança nas tecnologias operacionais.
Na sua apresentação, Nuno Brás Fernandes salientou a exposição do setor dos transportes às ameaças informáticas, identificando-o como o terceiro setor mais visado no contexto europeu e destacando o transporte ferroviário como o mais afetado neste universo.
Na mesa-redonda, moderada por Inês Antas de Barros, especialista em cibersegurança, Pedro Pinto de Jesus identificou a adaptação à Diretiva NIS2 como uma mudança de paradigma, que exige um envolvimento efetivo da administração das organizações e um compromisso continuado com a implementação das medidas necessárias.
No contexto da atividade da TML, o desafio passa também por garantir que a segurança acompanha a integração do sistema de transportes metropolitano. A gestão da bilhética e a articulação com os diferentes operadores implicam relações permanentes entre entidades e sistemas, tornando essencial a existência de mecanismos de coordenação, procedimentos de resposta e canais de comunicação que permitam prevenir riscos e minimizar o impacto de eventuais incidentes.
A manutenção da fiabilidade e da previsibilidade dos serviços, fundamentais para os passageiros, deverá permanecer no centro destas preocupações. A proteção dos sistemas e da informação não é, por isso, apenas uma questão tecnológica: é também uma condição para assegurar a confiança dos passageiros e a continuidade do serviço público de transportes.
Questionado sobre a capacidade de resposta do setor, o representante da TML sublinhou que a forte interligação entre os diferentes agentes dos transportes aumenta a exposição ao risco, tornando indispensável uma abordagem coletiva. «A resiliência só funciona se for coletiva», afirmou, defendendo o investimento em ferramentas e profissionais especializados, a partilha de experiências e a manutenção de canais de comunicação ativos.
Pedro Pinto de Jesus destacou ainda a importância da sensibilização dos órgãos de decisão para o tema, salientando o contributo de uma gestão de topo atenta e do Conselho Consultivo das Tecnologias para a Mobilidade. Sobre o papel da inteligência artificial, observou que esta pode potenciar os ataques, mas também reforçar a capacidade de defesa.
O debate contou igualmente com as perspetivas de Cristina Agreira, Vogal do Conselho de Administração do Metro do Mondego; de Júlio César, responsável pelo Departamento de Operações do Centro Nacional de Cibersegurança; e de Gonçalo, responsável pela cibersegurança do Serviço de Informações de Segurança.
Entre os desafios identificados estiveram a prevenção, o conhecimento dos sistemas e das suas vulnerabilidades, a aprendizagem entre organizações, a mudança de mentalidades e a crescente diversidade das ameaças.
Na reflexão sobre os próximos passos, Pedro Pinto de Jesus reforçou a necessidade de um compromisso claro da gestão de topo e de uma cooperação transversal a todo o sistema, essenciais para fortalecer a capacidade de prevenção, resposta e recuperação perante incidentes.