{"id":6964,"date":"2026-05-13T17:00:36","date_gmt":"2026-05-13T17:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tmlmobilidade.pt\/?p=6964"},"modified":"2026-05-13T17:00:37","modified_gmt":"2026-05-13T17:00:37","slug":"mobilidade-inteligente-e-gestao-do-espaco-publico-o-futuro-das-cidades-debateu-se-nas-smart-cities","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tmlmobilidade.pt\/en\/comunicacao\/noticias\/mobilidade-inteligente-e-gestao-do-espaco-publico-o-futuro-das-cidades-debateu-se-nas-smart-cities\/","title":{"rendered":"Mobilidade inteligente e gest\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico: o futuro das cidades debateu-se nas Smart Cities"},"content":{"rendered":"\n<p>A confer\u00eancia dedicada \u00e0 mobilidade inteligente e \u00e0 gest\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, realizada no \u00e2mbito do evento Smart Cities, reuniu alguns dos principais respons\u00e1veis institucionais e especialistas do setor para discutir os desafios que as cidades portuguesas enfrentam no presente e nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Entre os participantes estiveram Carlos Humberto de Carvalho, Gon\u00e7alo Reis, Nuno Sousa, Dina Aguiar, Em\u00eddio Gomes, Jos\u00e9 Gomes Mendes e Isabel Barroso de Sousa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do debate ficou clara uma ideia comum: as cidades inteligentes n\u00e3o se constroem apenas com tecnologia, mas sobretudo com uma vis\u00e3o integrada centrada nas pessoas, na qualidade de vida e na efici\u00eancia dos sistemas urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cidade inteligente como resposta \u00e0s necessidades das pessoas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na abertura da discuss\u00e3o, Nuno Sousa destacou que uma cidade inteligente deve ser capaz de gerar \u201cfeedback\u201d para os cidad\u00e3os e responder de forma din\u00e2mica \u00e0s suas necessidades. Para o respons\u00e1vel dos TMP, mobilidade e transporte representam, acima de tudo, liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo afirmou, o objetivo passa por criar cidades mais tecnol\u00f3gicas, mas tamb\u00e9m mais humanas, onde seja poss\u00edvel trabalhar e viver com maior flexibilidade, garantindo que os sistemas urbanos comunicam eficazmente com quem os utiliza.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma ideia foi refor\u00e7ada por Dina Aguiar, que alertou para o facto de a tecnologia n\u00e3o poder ser vista como uma solu\u00e7\u00e3o isolada. Para a administradora da Parques Tejo, a intelig\u00eancia urbana deve funcionar como um eixo facilitador, articulando tr\u00eas dimens\u00f5es fundamentais: estacionamento, mobilidade e satisfa\u00e7\u00e3o do utilizador.<\/p>\n\n\n\n<p>A respons\u00e1vel lembrou ainda que muitas cidades continuam estruturadas com base em modelos urbanos antigos, desenhados para realidades de mobilidade muito diferentes das atuais. Nesse contexto, a gest\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o do estacionamento assumem um papel cada vez mais relevante, sobretudo devido aos problemas causados pelo estacionamento indevido e pela press\u00e3o sobre o espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crescimento da procura exige mais capacidade e integra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos momentos centrais da confer\u00eancia foi a interven\u00e7\u00e3o de Carlos Humberto de Carvalho, presidente da TML, que sublinhou o forte crescimento da procura por transporte p\u00fablico na \u00c1rea Metropolitana de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo revelou, atualmente s\u00e3o transportadas cerca de 750 mil pessoas por dia atrav\u00e9s da Carris Metropolitana, num territ\u00f3rio que serve uma popula\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dos tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes. O respons\u00e1vel destacou ainda que o sistema n\u00e3o serve apenas os principais eixos urbanos, mas tamb\u00e9m as periferias, verificando-se um aumento significativo da procura at\u00e9 em hor\u00e1rios tradicionalmente menos utilizados, como as linhas das quatro e cinco da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Humberto defendeu que muitos dos desafios atuais da mobilidade n\u00e3o podem ser resolvidos apenas pelos operadores rodovi\u00e1rios. Na sua perspetiva, ser\u00e1 essencial refor\u00e7ar os transportes pesados, aumentar corredores BUS, implementar sem\u00e1foros priorit\u00e1rios e apostar fortemente em dados em tempo real. A curto prazo, a ambi\u00e7\u00e3o passa por disponibilizar informa\u00e7\u00e3o em tempo real em todos os sistemas de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da TML alertou ainda para um problema estrutural: a aus\u00eancia de uma vis\u00e3o verdadeiramente integrada entre os diferentes munic\u00edpios da \u00c1rea Metropolitana de Lisboa. \u201cTemos 18 poderes locais na AML\u201d, recordou, defendendo uma maior articula\u00e7\u00e3o institucional para melhorar a integra\u00e7\u00e3o entre os sistemas de mobilidade de Lisboa e Porto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Transporte p\u00fablico, sustentabilidade e ordenamento urbano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gon\u00e7alo Reis, vice-presidente da C\u00e2mara Municipal de Lisboa, refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de garantir uma oferta de transporte p\u00fablico organizada e eficiente, capaz de incentivar a transfer\u00eancia do autom\u00f3vel individual para os modos coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, destacou os investimentos em curso na Carris para aumentar a frequ\u00eancia e a capacidade da rede, bem como o desenvolvimento dos parques navegante\u00ae em parceria com a TML, que dever\u00e3o disponibilizar cerca de 1700 lugares de estacionamento em parques indutores associados ao transporte coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O autarca sublinhou tamb\u00e9m que a gest\u00e3o municipal n\u00e3o pode limitar-se apenas aos transportes p\u00fablicos tradicionais. Outros modos de mobilidade, como os tuk-tuk, exigem igualmente regulamenta\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o para evitar impactos negativos no espa\u00e7o urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>A transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica foi outro dos temas abordados. Gon\u00e7alo Reis referiu o compromisso de Lisboa em atingir, at\u00e9 2029, uma utiliza\u00e7\u00e3o de 90% de energias limpas nos sistemas de mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, alertou igualmente para os desafios financeiros associados \u00e0 pol\u00edtica de gratuitidade nos transportes p\u00fablicos. Embora reconhe\u00e7a os benef\u00edcios sociais da medida, defendeu que a sustentabilidade econ\u00f3mica do sistema \u00e9 essencial para garantir investimento cont\u00ednuo e melhoria da qualidade do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O debate sobre a gratuitidade dos transportes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da gratuitidade dos transportes p\u00fablicos gerou algumas das posi\u00e7\u00f5es mais divergentes da confer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nuno Sousa mostrou-se favor\u00e1vel a modelos de gratuitidade universal, defendendo que existe atualmente uma enorme falta de planeamento urbano e de mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Dina Aguiar apresentou uma vis\u00e3o mais prudente, considerando que o pre\u00e7o do passe n\u00e3o \u00e9 necessariamente o principal fator de afastamento do transporte p\u00fablico. Na sua opini\u00e3o, os utilizadores valorizam sobretudo vari\u00e1veis como comodidade, previsibilidade e fiabilidade do servi\u00e7o. Acrescentou ainda que existe frequentemente uma tend\u00eancia para desvalorizar aquilo que \u00e9 gratuito.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m Jos\u00e9 Gomes Mendes criticou fortemente os modelos de gratuitidade generalizada, classificando-os como um potencial obst\u00e1culo \u00e0 melhoria da qualidade do servi\u00e7o, por reduzirem capacidade de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cidade tridimensional e o futuro da mobilidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das interven\u00e7\u00f5es mais disruptivas foi protagonizada por Jos\u00e9 Gomes Mendes, que apresentou uma reflex\u00e3o sobre os novos paradigmas da gest\u00e3o urbana e da mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O respons\u00e1vel destacou que a mobilidade possui simultaneamente externalidades positivas \u2014 ao aproximar pessoas e atividades \u2014 e negativas, devido \u00e0 press\u00e3o que gera sobre o espa\u00e7o urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa vis\u00e3o prospetiva, defendeu que o futuro poder\u00e1 passar pela utiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo urbano como nova camada de mobilidade. Segundo afirmou, a gest\u00e3o dos fluxos urbanos tender\u00e1 a evoluir para um modelo tridimensional, com diferentes n\u00edveis de utiliza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea destinados a emerg\u00eancia m\u00e9dica, vigil\u00e2ncia e prote\u00e7\u00e3o de infraestruturas, bem como sistemas de delivery aut\u00f3nomo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Gomes Mendes considerou que esta \u201ccidade tridimensional\u201d poder\u00e1 tornar-se realidade nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, permitindo expandir a mobilidade sem aumentar a press\u00e3o sobre o solo urbano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Habita\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o urbana tamb\u00e9m entram na equa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A confer\u00eancia abordou igualmente a rela\u00e7\u00e3o entre mobilidade, habita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Isabel Barroso de Sousa destacou a dimens\u00e3o do problema habitacional e a necessidade de colocar no mercado o maior n\u00famero poss\u00edvel de im\u00f3veis reabilitados. Referiu ainda a promulga\u00e7\u00e3o da Lei 9\/2026, que introduz novas medidas destinadas ao arrendamento e \u00e0 dinamiza\u00e7\u00e3o da oferta habitacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A interven\u00e7\u00e3o refor\u00e7ou a ideia de que os desafios das cidades inteligentes n\u00e3o podem ser analisados de forma isolada. Mobilidade, habita\u00e7\u00e3o, planeamento urbano, sustentabilidade e tecnologia fazem parte de um mesmo ecossistema urbano que exige pol\u00edticas integradas e coordena\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma vis\u00e3o integrada para as cidades do futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das diferentes perspetivas apresentadas ao longo do debate, houve um consenso claro entre os intervenientes: o futuro das cidades depender\u00e1 da capacidade de integrar tecnologia, mobilidade, sustentabilidade e gest\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico numa vis\u00e3o comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que cidades tecnologicamente avan\u00e7adas, os participantes defenderam cidades capazes de responder \u00e0s necessidades reais das pessoas, promovendo qualidade de vida, inclus\u00e3o e efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A confer\u00eancia demonstrou que Portugal est\u00e1 j\u00e1 a discutir muitos dos grandes desafios urbanos do futuro, desde a intelig\u00eancia artificial aplicada \u00e0 mobilidade at\u00e9 \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, mas tamb\u00e9m evidenciou que o sucesso dessas transforma\u00e7\u00f5es depender\u00e1 da articula\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es, operadores e cidad\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A confer\u00eancia dedicada \u00e0 mobilidade inteligente e \u00e0 gest\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, realizada no \u00e2mbito do evento Smart Cities, reuniu alguns dos principais respons\u00e1veis institucionais e especialistas do setor para discutir os desafios que as cidades portuguesas enfrentam no presente e nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. 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